Loop engineering: quando você para de dar `prompt` e começa a gerenciar
O Head do Claude Code disse que não dá mais `prompt` — os `loops` dão por ele. Aqui está o que um `loop` é de verdade, as peças que formam um, e um roteiro pra colar e rodar o seu primeiro sem escrever código.
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Numa entrevista de junho de 2026, Boris Cherny — criador e Head do Claude Code na Anthropic — disse uma coisa que reenquadra a habilidade inteira: "Eu não dou mais prompt pro Claude… O meu trabalho é escrever loops." Se quem construiu a ferramenta já passou da fase de dar prompt, vale prestar atenção nesse sinal.
A virada é essa. Dar prompt é tático: uma instrução, uma resposta, e você preso na cadeira — digita, espera, conserta, digita de novo. O loop assume a cadeira. Você entrega um objetivo, e ele acha o trabalho, faz, confere a própria saída, anota o que terminou e roda de novo até bater a meta. O Addy Osmani (Google), que popularizou o termo "loop engineering", resume bem: um loop é um objetivo recursivo — você define um propósito e a IA itera até concluir.
As peças que formam um loop
O Osmani nomeia as partes concretas, e cada uma cai num recurso real do Claude Code:
- Automações — o
looproda por agendamento, não quando você digita. Rode o Claude sem interface comclaude -p "seu prompt de loop"a partir de um agendador, ou use o/loopdentro da sessão. - Worktrees — um
git worktreedá a cada agente uma cópia isolada do repositório, então dois rodam ao mesmo tempo sem se atropelar. - Skills — um
SKILL.mdem.claude/skills/guarda o conhecimento que você vive reexplicando, então toda rodada já começa sabendo do seu projeto. - Conectores — integrações MCP (
claude mcp add) deixam olooptocar nas suas ferramentas de verdade: o quadro de tarefas, a caixa de entrada, o banco de dados. - Subagentes — um agente construtor em
.claude/agents/faz o trabalho; um revisor separado confere. Quem faz o trabalho não pode ser quem dá a nota. - Estado — um arquivo markdown (ou um quadro no Linear) onde o
loopanota o que terminou, pra que dez rodadas virem um trabalhador contínuo em vez de dez recomeços do zero.
O roteiro pra colar
Você não precisa de código pra começar — um loop começa como um roteiro claro que você cola no Claude Code. Use quando o trabalho tem mais de um item (um backlog, uma pasta, uma fila). Preencha os colchetes:
Você está rodando como um loop, não respondendo um prompt. Roteiro:
OBJETIVO
[O estado final em uma ou duas frases. Deixe o PRONTO mensurável — ex.: "Todo
arquivo em /pages passa no verificador de links e usa o preço novo."]
ACHE O TRABALHO
[Onde o trabalho mora: "varra /pages atrás do preço antigo", "leia os itens não
marcados do TODO.md", "puxe os itens do meu quadro com a tag 'ai'."]
FAÇA O TRABALHO
- Um item por vez; termine por completo antes do próximo.
- Siga os padrões que já existem no repositório; não invente novos.
- Se um item exigir decisão minha (gastar, apagar, contatar alguém), PARE nele,
jogue numa lista "precisa de mim" e siga em frente.
VERIFIQUE (evidência, não confiança)
[Escolha por item: "rode os testes", "reabra o arquivo e confirme que bate o
objetivo", "tire print e confirme."] Se falhar, conserte e verifique de novo — no
máximo 3 tentativas, depois registre como bloqueado e continue.
LEMBRE
Mantenha o LOOP-STATE.md. Depois de cada item escreva: nome, status
(pronto/bloqueado/precisa-de-mim), o que mudou, o que a próxima rodada precisa.
Leia ele PRIMEIRO em toda rodada pra nunca refazer o que já ficou pronto.
PARE QUANDO
Todo item estiver pronto ou registrado como bloqueado, ou você tiver feito [N]
nesta rodada. Aí reporte: pronto, bloqueado, precisa da minha decisão.
Comece lendo o LOOP-STATE.md se existir, depois ache o trabalho.
A parte que quase todo mundo erra
O seu objetivo tem que ser algo que o agente consiga avaliar sozinho — um número, uma porcentagem, uma checklist — e não "deixa bom". Verificação é o jogo inteiro. Como o Osmani avisa, um loop rodando sozinho também é um loop errando sozinho. Sem autoconferência, você só montou uma máquina que erra mais rápido.
Faça isso hoje
Escolha uma tarefa chata de vários itens que você faz na mão — um backlog pra zerar, uma pasta pra organizar. Cole o roteiro, preencha os colchetes, adicione um LOOP-STATE.md de memória e rode uma vez enquanto você observa. Esse único passo é como você deixa de ser quem dá prompt e passa a ser quem desenha o sistema que faz.
Fontes
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