Faça uma auditoria de IA no seu próprio trabalho (o prompt que eu rodo na minha função)
A IA não vai levar o seu trabalho inteiro — ela leva tarefas dentro dele. Esse é o prompt de auditoria que eu colo no Claude pra dar nota a cada tarefa da semana quanto a delegação, mais a regra de EM que eu uso pra decidir o que continua humano.
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Pare de perguntar "será que a IA vai levar meu emprego". Pergunte "quais tarefas dentro dele ela já deveria estar fazendo". Os dados dão razão pra essa virada. O Economic Index da Anthropic acompanhou o placar o ano todo: em janeiro de 2025, o aumento (a IA ajuda, você decide) liderava a automação (a IA faz) por 55% a 41%; em agosto a automação passou na frente, 49% a 47%; e em novembro de 2025 o aumento retomou a liderança, 52% a 45%. Duas coisas são verdade ao mesmo tempo — a fatia da automação sobe no longo prazo, e mesmo assim a maioria ainda usa a IA como parceira, não como substituta. Ninguém está entregando a carreira. Estão entregando tarefas. Como EM, é assim que eu penso delegação pra um time, então rodo a mesma auditoria em mim.
Por que no nível da tarefa, e não do cargo
Quase toda função é uma fatia fina do trabalho pra que você foi de fato contratado, embrulhada numa camada grossa de burocracia. O State of Sales da Salesforce coloca um número na versão comercial disso: os vendedores passam só cerca de 30% da semana vendendo de verdade. Os outros 70% vão pra atualizar cadastro, correr atrás de dado e preparar reunião. Seu trabalho tem outra proporção, mas o mesmo formato — um núcleo pequeno de alto valor, muito enche-linguiça no meio. Esse 70% é o prêmio da automação, não o 30%. Então a pergunta útil não é "dá pra automatizar essa função", é "quais fatias desta semana dá, começando hoje".
As duas perguntas por trás de cada balde
Eu dou nota a cada tarefa recorrente em dois eixos, e só nesses dois: quanto de discernimento meu ela realmente exige e quanto custa um erro de fato. Passe cada tarefa por essas duas perguntas e ela cai em um de três baldes.
- Automatizar por completo — trabalho repetitivo com baixo custo de erro. Uma saída errada é chata, não é dano. É aqui que a IA roda de ponta a ponta, de preferência num agendamento ou gatilho. Pra mim é formatar o resumo semanal da sprint, triar os pedidos que chegam pro board certo, virar release notes em changelog, primeiros rascunhos de mensagens de status de rotina. Se errar um pouco só significa um ajuste de cinco segundos, entregue a coisa toda.
- A IA assiste — trabalho que precisa de uma pontinha do seu discernimento, mas onde a IA devia carregar o peso. A IA rascunha, você aprova. A IA pesquisa três fornecedores, você escolhe. A IA monta o debrief da entrevista, você bate o martelo. Você continua no circuito, mas seus minutos na tarefa despencam — uma hora de preparação vira uma revisão de cinco minutos. A maior parte da semana de um gestor mora aqui, quando a gente é honesto.
- Você fica no comando — trabalho que mexe com um relacionamento ou carrega uma consequência de verdade. Conversas de desempenho, uma negociação tensa, um sim/não de contratação, um post-mortem de incidente onde a confiança é o produto em jogo. A IA pode te preparar antes de você entrar, mas não age dentro desses momentos.
O prompt abaixo é de propósito mais rígido que o seu instinto, porque o instinto sempre guarda demais. Ele te entrevista primeiro — você não precisa de uma lista de tarefas organizada pra começar —, depois classifica e depois ranqueia.
Copie este prompt
Cole no Claude com cinco minutos de sossego (antes do expediente começar é o ideal). Ele te entrevista, depois classifica e ranqueia.
Você é meu auditor de automação. Me entreviste, depois divida minha semana em
três baldes e me entregue um plano ranqueado. Seja decidido: a maioria automatiza
de menos por hábito. Me questione quando eu disser que uma tarefa "precisa de mim"
sem motivo real.
PASSO 1 — ENTREVISTA (uma pergunta por vez, espere minha resposta):
1. Minha função e uma ideia hora a hora de uma semana normal.
2. O que eu faço todo dia sem falta.
3. Trabalho semanal/mensal: relatórios, revisões, planejamento, 1:1s.
4. Tarefas que eu mais enrolo pra fazer.
5. Onde eu copio informação de um lugar pra outro.
6. Tarefas que mexem com o sentimento, o dinheiro ou a confiança de outra pessoa.
PASSO 2 — CLASSIFIQUE cada tarefa em exatamente um balde:
- AUTOMATIZAR POR COMPLETO: repetitiva + baixo custo de erro. A IA faz de ponta a ponta.
- A IA ASSISTE: precisa de algum discernimento. A IA rascunha/pesquisa/prepara, eu aprovo;
meu tempo nela tem que cair >=70%.
- EU FICO NO COMANDO: mexe com um relacionamento ou precisa de discernimento real. A IA só resume.
Se eu empurrar uma tarefa pro "comando" sem motivo real, me confronte uma vez com o
contra-argumento honesto, depois respeite minha decisão.
PASSO 3 — ENTREGUE:
1. Uma tabela: tarefa | balde | horas/semana | um "como" de uma linha (prompt agendado, skill
salva do Claude, conector ou agente) pra cada tarefa que a IA toca.
2. Os 3 primeiros pra automatizar, por (horas poupadas) x (facilidade de montar). Pra cada um:
passos simples que eu faço esta semana + o primeiro prompt pronto pra colar.
3. O total honesto de horas/semana que eu recupero só com os 3 primeiros, e o balde três
em que eu deveria reinvestir esse tempo.
4. Uma tarefa que eu acho que dá pra automatizar mas ainda não dá — e por quê.
Como é uma boa saída
Você quer quatro coisas de volta, não um discurso motivacional vago. Uma tabela de cada tarefa com o balde dela, as horas que ela come hoje e um "como" de uma linha — isso é um prompt agendado, uma skill salva do Claude, um conector pro seu calendário/e-mail/docs ou um agente completo. Um top três ranqueado, pontuado por horas poupadas vezes facilidade de montar, cada um com passos que você consegue mesmo terminar esta semana e o primeiro prompt escrito, pronto pra colar. Um total honesto de horas que você recuperaria só com esses três. E a tarefa que você acha que dá pra automatizar mas ainda não dá — esse último item é o que te salva de um fim de semana perdido, então não pule.
Depois da auditoria: três regras que fazem ela colar
Entregue exatamente uma coisa primeiro. A auditoria te dá um top três, mas a semana um é só do nº 1. Uma automação que funciona de verdade vale mais que três meio conectadas que você larga na quinta — e a primeira vitória de verdade é o que banca a motivação pras próximas duas.
Vire cada assistência de balde dois num prompt salvo. Se "escrever meu update semanal" é uma assistência, não reescreva o prompt do zero toda sexta. Escreva uma vez — seu formato, seu tom, de onde vem o dado — e salve como skill do Claude ou uma nota que você cola. É isso que de fato derruba a tarefa de uma hora pra uma passada de revisão, pra sempre.
Defenda o balde três no seu calendário. O sentido inteiro de esvaziar os baldes um e dois é gastar as horas recuperadas no trabalho de discernimento — os relacionamentos, a estratégia, as decisões visíveis que movem sua carreira. Se o tempo livre enche de novo em silêncio com mais burocracia, a auditoria não mudou nada. Bloqueie as horas antes que elas evaporem.
Faça isso hoje
Rode o prompt e entregue só o item nº 1 esta semana. Refaça a auditoria inteira a cada seis meses — os baldes não são permanentes. As tarefas migram de "assiste" pra "automatiza" conforme as ferramentas melhoram e sua confiança cresce, e quem refaz a auditoria duas vezes por ano continua achando horas que todo mundo deixa na mesa.
Fontes
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