Pare de assistir demo de IA. Leia o transcript.
Um repositório pronto não te ensina nada sobre como ele ficou pronto. Desde dezembro de 2025 dá pra ler a sessão inteira de um dev raiz no Claude Code — cada `prompt`, cada caminho errado, cada correção. Aqui vão as cinco sessões que valem estudo, e exatamente o que procurar em cada uma.
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Em dois dias de dezembro de 2025, Simon Willison usou o Claude Code pra construir um motor de JavaScript em Python puro — lexer, parser, compilador de bytecode, uma VM e um motor de regex feito do zero, com proteção contra ReDoS. Terminou com 443 testes passando e 71 commits, puxados por 37 prompts. E a coisa toda está publicada, página por página, num transcript que qualquer um consegue ler.
Esse artefato é o motivo desse guia existir. Todo mundo compartilha repositório pronto e demo de melhores momentos, e isso não ensina nada — porque a informação interessante foi destruída no caminho até o resultado. O que realmente passa de uma pessoa pra outra é o ciclo de correção: como ela percebe que o agente saiu do trilho e o que ela faz em seguida. O transcript guarda isso. A demo corta na edição.
Então sim, isso aqui é uma lista pra assistir — só que não de vídeo. São cinco coisas pra ler, e o que extrair de cada uma.
Como estudar uma sessão (faça isso antes de abrir qualquer uma)
Ler 12 páginas de transcript de cabo a rabo é jogar uma tarde no lixo. Leia como se fosse code review:
- Leia o
promptnº 1 inteiro e depois pule pro último. Quanto o objetivo mudou? Pouca deriva significa que obriefinicial era bom. Na sessão do mquickjs, o primeiropromptjá travava as restrições difíceis: portar "entirely in python, with no dependencies". - Cace os
promptsde resgate. Procure na linha do tempo os momentos em que o humano interrompe. É ali que está a aula. O "Let's get the xfails all working — or come up with a very good explanation for why we can't" do Willison é uma correção disfarçada de tarefa: recusa o "é difícil" sem exigir milagre. - Ache a coleira. Toda sessão longa que dá certo tem um mecanismo mantendo o agente honesto. Ali é TDD, dito na cara: "Do them all, commit as you go with new passing tests, do TDD" — e é por isso que existem 71
commitsem vez de umdiffgigante impossível de revisar. - Conte correções por hora, não linhas por hora. É esse número que diz se a pessoa é boa nisso de verdade ou só tem máquina rápida.
A lista
O transcript do mquickjs-python (Simon Willison). 37 prompts, 71 commits, 12 páginas, 443 testes passando e 15 registrados como xfail num open-problems.md que o próprio agente escreveu. É o melhor exemplo disponível de uma tarefa genuinamente difícil, longe de boilerplate, levada até o fim com um agente. Melhor pra: ver como os testes viram o volante de uma construção que dura dias — e como a falha honesta fica registrada em vez de escondida.
claude-code-transcripts (a ferramenta). O CLI em Python do Willison transforma as suas sessões em ~/.claude/projects em HTML paginado: um index.html com a linha do tempo de prompts e commits, mais page-001.html e adiante. Rode uvx claude-code-transcripts pra abrir o seletor interativo, use --gist pra publicar direto num Gist público via gh, ou o subcomando all pra montar um arquivo navegável de tudo que você já rodou. Tem também um subcomando web, que puxa sessões do Claude Code na web. 1,6 mil estrelas — e foi construída com o próprio Claude Code: o histórico de commits dela linka os transcripts do próprio desenvolvimento. Melhor pra: estudar você primeiro. A sua última sessão é o estudo de caso mais relevante que você vai ler na vida.
howborisusesclaudecode.com. Uma coletânea feita pela comunidade com mais de 127 dicas do Boris Cherny — que criou o Claude Code e hoje lidera o produto — garimpadas das threads públicas dele entre janeiro e junho de 2026. O item mais transferível é a conta que ele faz sobre consertar erro: corrigir na hora deixa o seu contexto como "file reads + failed attempt + fix", enquanto o /rewind (dois toques no Esc) deixa "file reads + informed prompt + fix". A tentativa fracassada simplesmente não entra no histórico. A outra regra dele é a que rende juros compostos: "Every single time Claude makes a mistake, I don't tell it to do it differently. I tell it to write it to the CLAUDE.md." Melhor pra: o ciclo de correção em si — é a fonte mais densa sobre o que fazer no segundo exato em que você percebe que deu errado.
Karpathy no podcast do Dwarkesh Patel. Leia esse como contrapeso, porque é o relato público mais crível de um especialista escolhendo não delegar. O padrão do Karpathy é autocomplete, não agente — "you point to the code where you want it, you type out the first few pieces, and the model will complete it" — e no nanochat dele, de 8 mil linhas, os agentes brigaram com ele: tinha escrito na mão a própria sincronização de treinamento distribuído em vez de usar o container DDP do PyTorch, e os modelos insistiam em arrastá-lo de volta pro padrão. Ele usou agente onde o conhecimento do modelo era maior que o dele, tipo reescrever um tokenizer em Rust. Melhor pra: calibragem. A habilidade não é maximizar uso de agente; é saber qual código é idiossincrático demais pra entregar.
Will Larson — "Sharing Claude transcripts". A visão de um líder de engenharia sobre por que isso importa na escala do time: "adoption depends on easy discovery of what's possible and what's good." Ele montou um arquivo indexado das sessões da empresa em cima da ferramenta do Willison, mais um comando interno imp claude share-session pra qualquer pessoa mandar uma sessão pro repositório compartilhado — tempo total de construção: "an hour or two of work." Melhor pra: EMs. É o projeto de adoção de IA com maior alavancagem disponível pra você agora, e cabe numa tarde.
Por que isso rende pra um dev brasileiro mirando fora
Entrevista pra vaga remota nos EUA e na Europa já começou a perguntar como você trabalha com agente, e "eu uso Claude Code" não é resposta — é o mesmo não-sinal que "eu sei Git". Um transcript publicado é resposta. É evidência verificável de como você especifica uma tarefa, como você monta o ciclo de verificação e como você se comporta quando a coisa desanda — exatamente o que ninguém consegue testar em 45 minutos de entrevista. Dois ou três Gists públicos de sessões reais valem mais que outro certificado, e custam só a flag --gist.
Hoje: rode uvx claude-code-transcripts na sua última sessão de verdade, abra o index.html gerado e ache todo ponto em que você teve que corrigir o agente. Pra cada um, escreva a única linha que você deveria ter colocado no seu CLAUDE.md ou no prompt de abertura. Essa lista — do seu repositório, dos seus erros — vale mais que qualquer coisa da lista aí de cima. Depois publique a sessão que te dá menos vergonha.
Fontes
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